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Cirurgia buco-maxilo-facial

Extração de siso: quando é necessária e quando não é

Dr. Enor MassoniCRO-PR 49824 min de leitura

"Você vai precisar tirar os sisos" é uma frase tão comum que quase ninguém pergunta por quê — e a pergunta é legítima.

A extração de siso é a remoção cirúrgica dos terceiros molares, os últimos dentes a irromper, geralmente entre os 17 e os 25 anos. É indicada quando esses dentes causam ou têm risco documentado de causar problemas — e não simplesmente porque existem.

Quando a extração é indicada?

Os critérios são objetivos. A remoção se justifica quando há:

  • Pericoronarite de repetição — inflamação recorrente da gengiva que cobre parcialmente o dente, com dor, inchaço e dificuldade de abrir a boca.
  • Cárie no siso ou no dente vizinho em posição que impede restauração adequada. O segundo molar é frequentemente a vítima real de um siso mal posicionado.
  • Impossibilidade de higienização, com acúmulo crônico de placa na região.
  • Cisto ou lesão associada ao folículo do dente incluso, identificado em exame de imagem.
  • Reabsorção da raiz do dente vizinho, causada pela pressão do siso incluso.
  • Indicação ortodôntica ou pré-protética, quando o dente compromete o plano de tratamento.
  • Doença periodontal localizada na face distal do segundo molar por causa do siso.

Quando não extrair — e essa também é uma decisão clínica

O siso pode e deve ser mantido quando:

  • Irrompeu completamente, está em posição funcional e participa da mastigação
  • A gengiva ao redor está saudável e o dente pode ser escovado normalmente
  • Não há cárie, nem lesão associada, nem prejuízo ao dente vizinho
  • Está profundamente incluso, sem sintomas, sem lesão, e a remoção traria risco maior que a manutenção

Nesse último cenário, a conduta correta costuma ser acompanhamento radiográfico periódico, não cirurgia. Um siso assintomático e bem posicionado não é um problema à espera de acontecer; é um dente.

Como é feito o procedimento?

Na maior parte dos casos, em consultório e com anestesia local.

  1. Avaliação e imagem. Radiografia panorâmica sempre; tomografia quando há proximidade com o nervo alveolar inferior ou com o seio maxilar.
  2. Anestesia local, que bloqueia a dor mantendo você acordado e responsivo.
  3. Acesso, com afastamento da gengiva quando o dente está incluso.
  4. Remoção, que pode incluir a divisão do dente em partes — o que costuma ser menos traumático que removê-lo inteiro.
  5. Limpeza e sutura do local.

Sisos superiores irrompidos são frequentemente simples e rápidos. Sisos inferiores inclusos e horizontalizados são o cenário mais complexo, e é por isso que costumam ser encaminhados ao cirurgião bucomaxilofacial.

O pós-operatório, sem otimismo desnecessário

O que esperar nos primeiros dias:

  • Inchaço com pico entre 48 e 72 horas, reduzindo ao longo da semana
  • Desconforto controlável com a medicação prescrita, mais intenso nas primeiras 48 horas
  • Limitação de abertura da boca, temporária
  • Manchas arroxeadas na face em alguns casos, sem gravidade

O que ajuda: compressa fria nas primeiras 24 a 36 horas, alimentação fria ou morna e macia, repouso relativo, cabeça elevada para dormir, higiene cuidadosa da região a partir do dia seguinte.

O que atrapalha: fumar (aumenta muito o risco de alveolite), bochechar com força nas primeiras 24 horas, esforço físico intenso, canudo, e interromper a medicação por conta própria.

Procure atendimento se houver dor que aumenta a partir do terceiro dia, febre, sangramento que não cessa com compressão, inchaço progressivo ou dificuldade para engolir.

O que muda com o planejamento

A diferença entre uma extração tranquila e uma complicada raramente está na habilidade isolada — está no que se sabia antes de começar. Uma tomografia que mostra a raiz do siso envolvendo o nervo alveolar inferior muda a técnica escolhida, e essa informação só existe se o exame for pedido.

Por isso a avaliação vale mais que a pressa. Um siso que não está doendo hoje permite planejar com calma; um siso infectado limita as opções.

Perguntas frequentes

Todo mundo precisa extrair os sisos?

Não. Sisos que irromperam totalmente, estão em posição funcional, têm gengiva saudável ao redor e podem ser higienizados não precisam ser removidos apenas por serem sisos. A indicação vem de um problema presente ou de um risco documentado, não da existência do dente.

Qual a melhor idade para extrair o siso?

Quando há indicação, o período entre o fim da adolescência e por volta dos 25 anos costuma ser mais favorável: a raiz ainda não está completamente formada, o osso é menos denso e a recuperação tende a ser mais rápida. Isso não significa que extrair depois seja impossível — apenas que o pós-operatório costuma ser mais tranquilo antes.

A extração de siso dói?

Durante o procedimento não, porque a anestesia local bloqueia a dor; você pode sentir pressão e movimento. O desconforto do pós-operatório é controlado com a medicação prescrita e costuma ser mais intenso nas primeiras 48 a 72 horas. Dor que aumenta a partir do terceiro ou quarto dia, em vez de diminuir, deve ser comunicada — pode indicar alveolite.

Quanto tempo dura o inchaço depois da cirurgia?

O inchaço normalmente atinge o pico entre 48 e 72 horas e depois regride ao longo da primeira semana. Compressa fria nas primeiras 24 a 36 horas, repouso relativo e dormir com a cabeça mais elevada ajudam. Inchaço que começa a aumentar depois do terceiro dia, especialmente com febre, precisa de avaliação.

Posso extrair os quatro sisos de uma vez?

Em muitos casos sim, e há vantagem prática: um único pós-operatório em vez de vários. A decisão depende da complexidade de cada dente, das condições de saúde do paciente e da tolerância prevista ao procedimento. Casos mais complexos costumam ser divididos por lado, o que permite mastigar do lado oposto durante a recuperação.

Extrair o siso pode causar dormência no lábio?

É um risco real, embora pouco frequente, nos sisos inferiores próximos ao nervo alveolar inferior. A alteração de sensibilidade no lábio e queixo é temporária na grande maioria dos casos. Justamente por isso a tomografia é indicada quando a radiografia sugere proximidade com o nervo: ela mostra a relação em três dimensões e permite planejar a técnica com esse dado em mãos.

Dr. Enor Massoni

Cirurgião Dentista - Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial

CRO-PR 4982

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não substitui uma consulta odontológica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação clínica individual.

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