O enxerto ósseo repõe volume ósseo perdido na maxila ou na mandíbula, criando condições para instalar um implante com estabilidade e na posição correta. Ele existe porque o osso que sustenta os dentes é funcional: sem o estímulo da mastigação através do dente, ele é reabsorvido.
Por que falta osso justamente onde havia um dente?
Porque o osso alveolar existe para sustentar dentes. Removido o dente, o estímulo mecânico cessa e o organismo reabsorve a estrutura que deixou de ter função.
A perda é mais acentuada nos primeiros seis a doze meses após a extração e continua, mais lentamente, ao longo dos anos. Perde-se altura e, principalmente, espessura.
- Doença periodontal — destrói osso ao redor de dentes ainda presentes.
- Infecção ou cisto — consome osso na região afetada.
- Prótese total removível de uso prolongado — apoia carga sobre o rebordo e acelera a reabsorção.
- Pneumatização do seio maxilar — reduz a altura óssea disponível nos molares superiores.
Quais são os tipos de enxerto?
A escolha depende do defeito, medido na tomografia, e não da preferência.
- Enxerto particulado — material em grânulos para preencher defeitos e ganhar espessura, frequentemente com membranas que orientam a formação óssea.
- Enxerto em bloco — indicado para defeitos maiores, geralmente com osso do próprio paciente.
- Levantamento de seio maxilar — eleva a membrana do seio para ganhar altura na região dos molares superiores.
- Preservação alveolar — enxerto feito no mesmo momento da extração, para reduzir a reabsorção antes que ela ocorra.
Quanto tempo espero entre o enxerto e o implante?
Em geral de quatro a nove meses, dependendo do tipo e do volume do enxerto.
Em alguns casos é possível instalar o implante no mesmo tempo cirúrgico, quando ainda existe osso suficiente para dar estabilidade inicial. Essa decisão vem da tomografia, não da conveniência do cronograma.
Quando este tratamento não é indicado
Tão importante quanto saber quando o tratamento se aplica é saber quando ele não é a resposta certa — ou não é a resposta certa agora.
- Infecção ativa na região — precisa ser resolvida antes de qualquer enxerto.
- Doença periodontal não controlada — compromete a cicatrização e o resultado.
- Tabagismo intenso — afeta a vascularização e a cicatrização de forma consistente; vale a conversa franca antes de um procedimento de recuperação relevante.
- Quando existe alternativa sem enxerto — implantes mais curtos ou posições alternativas podem atender com menos intervenção.
- Enxerto isolado, sem plano protético — o enxerto é meio, não fim: só faz sentido dentro de um plano completo de reabilitação.
Perguntas frequentes
De onde vem o material do enxerto?
Existem quatro origens: osso do próprio paciente retirado de outra região da boca, osso de doador humano processado por banco de tecidos, osso de origem animal também processado, e materiais sintéticos. A escolha depende do volume necessário, da região e do tipo de defeito ósseo.
O enxerto ósseo dói muito?
Enxertos pequenos com material particulado, feitos no mesmo local do implante, costumam ter pós-operatório semelhante ao de uma cirurgia oral comum. Enxertos maiores que exigem retirada de osso do próprio paciente têm recuperação mais desconfortável, porque há dois locais cirúrgicos em vez de um.
É possível evitar o enxerto?
Às vezes, e a melhor forma é a preservação alveolar: enxertar o alvéolo no mesmo momento da extração, o que reduz de forma significativa a reabsorção posterior. Em outros casos é possível usar implantes mais curtos ou posições alternativas. Quando o enxerto é necessário, contorná-lo tende a comprometer a estabilidade do implante.
O que faz o enxerto dar certo?
Vascularização, estabilidade e ausência de infecção, nessa ordem. O enxerto funciona como arcabouço para que o osso do próprio paciente cresça através dele, o que depende de sangue chegando ao local e de o enxerto não se mover durante a cicatrização. Por isso as orientações pós-operatórias são mais rígidas que em outras cirurgias.

