A extração de siso é a remoção cirúrgica dos terceiros molares, os últimos dentes a irromper. É indicada quando esses dentes causam ou têm risco documentado de causar problemas — e não simplesmente porque existem.
Quando a extração é indicada?
Os critérios são objetivos e clínicos.
- Pericoronarite de repetição — inflamação recorrente da gengiva que cobre o dente, com dor e dificuldade de abrir a boca.
- Cárie no siso ou no dente vizinho — em posição que impede restauração adequada; o segundo molar costuma ser a vítima real.
- Impossibilidade de higienização — com acúmulo crônico de placa na região.
- Cisto ou lesão associada — ao folículo do dente incluso, identificado em imagem.
- Reabsorção da raiz do dente vizinho — causada pela pressão do siso incluso.
- Indicação ortodôntica ou pré-protética — quando o dente compromete o plano de tratamento.
Como é feito o procedimento?
Na maior parte dos casos em consultório, com anestesia local, em uma sessão.
Após a avaliação e a imagem, faz-se o acesso com afastamento da gengiva quando o dente está incluso. A remoção pode incluir a divisão do dente em partes, o que costuma ser menos traumático do que removê-lo inteiro. Ao final, limpeza e sutura.
Como é o pós-operatório?
O inchaço costuma atingir o pico entre 48 e 72 horas e reduzir ao longo da primeira semana.
- Ajuda — compressa fria nas primeiras 24 a 36 horas, alimentação fria ou morna e macia, repouso relativo, cabeça elevada para dormir.
- Atrapalha — fumar, bochechar com força nas primeiras 24 horas, esforço físico intenso, canudo, e interromper a medicação por conta própria.
- Procure atendimento — se houver dor que aumenta a partir do terceiro dia, febre, sangramento que não cessa, inchaço progressivo ou dificuldade para engolir.
Quando este tratamento não é indicado
Tão importante quanto saber quando o tratamento se aplica é saber quando ele não é a resposta certa — ou não é a resposta certa agora.
- Siso irrompido e funcional — em posição adequada, com gengiva saudável e possível de higienizar, não precisa ser removido apenas por ser siso.
- Siso profundamente incluso e assintomático — sem lesão associada, quando a remoção traria risco maior que a manutenção; a conduta correta costuma ser acompanhamento radiográfico periódico.
- Infecção aguda em curso — costuma exigir controle antes do procedimento eletivo.
Perguntas frequentes
Todo mundo precisa extrair os sisos?
Não. Sisos que irromperam totalmente, estão em posição funcional, têm gengiva saudável ao redor e podem ser higienizados não precisam ser removidos apenas por serem sisos. A indicação vem de um problema presente ou de um risco documentado, não da existência do dente.
Qual a melhor idade para extrair o siso?
Quando há indicação, o período entre o fim da adolescência e por volta dos 25 anos costuma ser mais favorável: a raiz ainda não está completamente formada e o osso é menos denso, o que tende a tornar a recuperação mais rápida. Isso não significa que extrair depois seja impossível.
Posso extrair os quatro sisos de uma vez?
Em muitos casos sim, com a vantagem prática de um único pós-operatório. A decisão depende da complexidade de cada dente, das condições de saúde e da tolerância prevista ao procedimento. Casos mais complexos costumam ser divididos por lado, o que permite mastigar do lado oposto durante a recuperação.
Extrair o siso pode causar dormência no lábio?
É um risco real, embora pouco frequente, nos sisos inferiores próximos ao nervo alveolar inferior, e a alteração de sensibilidade é temporária na grande maioria dos casos. Por isso a tomografia é indicada quando a radiografia sugere proximidade com o nervo: ela mostra a relação em três dimensões e permite planejar com esse dado em mãos.

