A cirurgia ortognática reposiciona a maxila, a mandíbula, ou ambas, para corrigir desproporções esqueléticas entre elas. É indicada quando a alteração está no osso, e não apenas na posição dos dentes — situação em que a ortodontia isolada pode compensar, mas não resolver.
Como saber se o caso é ortodôntico ou cirúrgico?
A diferença está em onde mora o problema. Quando os maxilares têm posição adequada e só os dentes estão desalinhados, o tratamento é ortodôntico. Quando existe desproporção entre as bases ósseas, mover dentes apenas compensa a discrepância.
Compensações têm custo: inclinação excessiva dos dentes, retração gengival e instabilidade do resultado.
- Queixo muito projetado ou muito retraído em relação ao rosto.
- Mordida cruzada de um lado ou dos dois.
- Mordida aberta, com os dentes da frente sem contato.
- Assimetria facial evidente.
- Dificuldade real de mastigação, mordendo apenas em alguns pontos.
- Respiração bucal e ronco relacionados à posição da mandíbula.
Quais são as fases do tratamento?
São três, e a cirurgia é o evento mais curto de um tratamento longo — raramente menos de um ano e meio no total.
- Ortodontia pré-cirúrgica — 12 a 18 meses. Alinha os dentes dentro de cada arcada e os descompensa, preparando o encaixe pós-operatório. Pode piorar temporariamente a aparência da mordida, e isso é esperado.
- Cirurgia — em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, com acessos por dentro da boca na maioria dos casos. Os ossos são reposicionados e fixados com placas e parafusos de titânio.
- Ortodontia pós-cirúrgica — 6 a 12 meses. Finaliza o encaixe na nova posição óssea e estabiliza o resultado.
Como é a recuperação?
O inchaço é significativo na primeira semana e reduz de forma importante ao longo do primeiro mês, embora um edema residual possa permanecer por meses.
A dieta é líquida e depois pastosa por várias semanas. O retorno ao trabalho costuma acontecer entre duas e quatro semanas em atividades sem esforço físico. A consolidação óssea leva meses.
Quando este tratamento não é indicado
Tão importante quanto saber quando o tratamento se aplica é saber quando ele não é a resposta certa — ou não é a resposta certa agora.
- Crescimento facial ainda em curso — operar antes do fim do crescimento arrisca recidiva; em geral aguarda-se por volta dos 18 anos, com avaliação individual.
- Discrepância pequena e compensável — quando a ortodontia resolve sem prejuízo aos dentes e ao periodonto.
- Doença periodontal ativa ou cáries não tratadas — a saúde bucal precisa estar estabilizada antes.
- Expectativa puramente estética — sem alteração funcional que justifique, a indicação precisa ser reavaliada com honestidade.
- Impossibilidade de aderir ao tratamento longo — incluindo a fase ortodôntica e o acompanhamento pós-operatório.
Perguntas frequentes
Cirurgia ortognática é estética ou funcional?
É funcional, com efeito estético. A indicação nasce de um problema de função — mastigação, respiração, fala, sobrecarga da articulação — causado pela posição desproporcional dos maxilares. A mudança na aparência do rosto é consequência de corrigir essa posição, não o objetivo que justifica a cirurgia.
Preciso usar aparelho antes da cirurgia?
Na grande maioria dos casos, sim. A ortodontia pré-cirúrgica alinha os dentes dentro de cada arcada e os posiciona de modo que, quando os maxilares forem movidos, encaixem corretamente. Sem essa fase, a cirurgia move ossos que não têm onde se encaixar.
Vou ficar com a boca fechada com arames?
Raramente, hoje. As técnicas atuais usam fixação interna rígida com placas e parafusos de titânio, o que na maioria dos casos dispensa o bloqueio maxilomandibular prolongado. Costuma-se usar elásticos guias para orientar a mordida durante a cicatrização.
Quanto tempo dura o tratamento completo?
Na maioria dos casos entre um ano e meio e três anos, somando ortodontia pré-cirúrgica, cirurgia e ortodontia de finalização. Quem procura a cirurgia esperando uma solução rápida precisa saber disso antes de começar.

